domingo, 11 de abril de 2010

Le temps morts























Tenho as mãos atadas ao redor do meu pescoço
Eu queria mesmo era tocar seu corpo
Reprimo meus momentos
Jogo fora os sentimentos e depois?
Depois toco meu corpo eu tenho frio
Sou um louco amargurado e até vazio
E me chamam atenção
Mas eu sou louco é de paixão e você?
Você que me retire desse poço
Eu sei ainda sou moço pra viver
E te ver assim tão crua
A verdade é toda nua
E ninguém vê

Eu tenho as mãos atadas sem ação
E um coração maior que eu para doar
Reprimo meus momentos
Jogo fora os sentimentos sem querer
Eu quero é me livrar
Voar
Sumir
Perder não sei, não sei, não sei querer mais
A qualquer hora é sempre agora chora
Quero cantar você
Vou fazer uma canção liberte o meu pensar
Aperte os cintos pra pousar
Agora é hora de dizer muito prazer sorte ou
azar e amar
Simplesmente amar você

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Então é assim que começa...

Amor Vincit Omniac. 1601-02
Oil on canvas75 1/4 x 58 1/4 in (191 x 148 cm)
Gemaeldegalerie, Berlin


Então… pode-se dizer que assim começa a nossa história. Sem um grande final. Mas há quem acredite que ainda existe muito a que se contar pelo futuro ainda não vivido. Mas essa é outra parte da história que, ao seu tempo, vou-lhes contar. Entretanto, o que agora faz-se importante dizer é do amor que insiste em latejar dentro de nossos corações embaçados por sentimentos de medo.
Naquela tarde de inverno, nossas almas se amaram para valer; se entregaram a iluminação de uma beleza sem par em nossas histórias individuais. Havia silêncio pleno, rostos iluminados, olhares de satisfação, corpos nus. Tudo se enquadrava como numa película de cinema: a cor do quarto, sol frio e amarelo entrando pela janela, roupas displicentemente jogadas pela casa, ecos de gargalhas e sorrisos agora já em silêncio íntimo...
Era preciso muita dissimulação para tudo aquilo não ser verdade absoluta e inequívoca. Embebidos de todos os sentimentos cegos que só a paixão confere ao ser humano, nada podia estar ou ser errado naquela tarde de inverno. Nossos corações se prometiam a um futuro imaginado... perfeito. Mas as horas andam sem que possamos frear o tempo, e aquela tarde se foi.
Houve malas prontas... beijos apertados no corredor, abraços sufocantes e cálidos com uma dor de despedida que não se cabia, porque afinal, no final de semana seguinte havia a promessa do reencontro. Mas ali tinha uma pequena dor incômoda e ligeira ao segurar mala, casaco, bolsa no caminho à porta. Por quê? Não sabia, o que hoje sei e o que me leva a escrever estas linhas.
***
Lá estava eu novamente sentado em minha cadeira envolto a papéis e planilhas compenetrado nos projetos que caminhavam sob a minha coordenação, quando ela, leve como uma avalanche, entra; rosto marejado por lágrimas presas na garganta, face branca manchada de vermelho, como borrifos de sangue; anda de um lado para o outro tentando buscar um sentido para sua presença estranha em minha sala.
Claro que eu perguntei o que estava acontecendo! Mas a insistência pelo “nada” era por de mais falsa. Claro que existia alguma coisa nada profissional a ser despejado em mim, sobre a minha mesa, cadeira, planilhas, papéis. E mais uma vez o “nada” se repetia em sua voz engasgada. Foi, por isso, que eu me levantei. Fui até perto dela, que se esquivava e chorava mais, segurei-a pelo braço, em olhar profundo, e pedi: “Diz! Por favor, o que acontece!?”.
E ali fiquei sabendo da mais pérfida teia de intriga, que nesse meu tempo de vida, pude ser envolvido.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

repercussões acerca do sofrimento


- Onde está o amor?!
***
Numerosos são os doentes que se perdem pela língua ou pela pena (Dinouart, 1771).
Numerosos são os doentes em silêncios barulhentos.No vale que vivem os homens cultivam-se flores. Mas para quem? Para quê?Flores não fazem barulho para crescerem. Então, por que há tantos doentes?
***
Mergulho na imagem profunda de um espelho d’água calmo e tranqüilo de um grandioso lago, na expectativa de submergir na densidade refratária de sua superfície trapaceira. Todo espelho d’água engana, confunde, desvirtua a percepção dos que se deixam olhar refletido. Até mesmo o céu, em sua infinitude, logra uma desventura hipnótica e confusa na limitada área de um lago.Visto de cima, observado de lado, sem ventos ou folhas que caiam, a superfície de um lago é sempre aprazível; evoca o infinito do infinito trazendo o céu para terra.Quando abaixo do fio d’água, somos o lago; e visto de baixo para cima não há clareza que transmita o esplendor que acalma. Vêem-se ranhuras trêmulas de pouca luz a embaçar os sentidos. Esta, talvez, possa ser uma aflição humana; uma aflição daqueles que não têm preparados órgãos de enxergar embaixo d’água. Mas, talvez, também os peixes não se extasiem com o lado externo da superfície.Vemos diariamente histórias de vidas serem contadas debaixo do espelho d’água. Histórias silenciadas em si mesmas. Embaixo d’água o som humano não se propaga direito, abafa-se, engasga-se.Na superfície, envolta de tanto ar, o som se debate sem muita verdade. Ouvem-se muitas palavras e olha-se muito a própria imagem. Na superfície calma e tranqüila não há tempo para ver o outro porque tudo parece tão perfeito, tão organizado que é preciso abster-se dos ruídos externos para apenas importar-se com seus próprios detalhes.Com ventos um pouco mais fortes, do que a leve brisa costumeira a borda do grande largo, espelho não é mais espelho é onda, marola... Aparta afixação humana de seus autodetalhes num forçoso convite ao olhar entorno. Vento é ar em movimento; brisa é vento que não cresceu.
***
Não se pode falar da luz sem o conhecimento das trevas; não se pode falar do silêncio sem referenciar a palavra; não pode haver liberdade se não houver mais amor.

terça-feira, 31 de março de 2009

PASSA-PASSARÁ
Da série DIÁRIOS DE UMA VIAGEM POR VOLTA DA BOCA
Gravura Klimt



Nesta noite,
sinto falta de tudo.
grandes contrastes se apresentam diante de mim sem escolha.
Boa sorte a minha estar aqui, nesta noite, escrevendo linhas sem pouca tristeza no peito.
Há em mim tantos desertos!
vastos em suas próprias insgnificancias.
Desertos ilhados em mares de areia.
É assim, caminhando numa imagem emprestada por tantos outros, que vou andando...
empoeirando-me em rodamoinhos de vento.
Talvez, seja assim mesmo as caminhadas por essas bandas de cá;
sentir os grãos de areia craquelarem entre os dentes;
retirar os sapatos na espectativa de "desacumular" a terra por entre os dedos, e,
na verdade, perceber o contrário (...)
Nesta noite,
só queria saber o que dizer!
porque de sensações estou repleto.
... de desejo: transbordo.
nesta noite,
estou inquieto.

segunda-feira, 30 de março de 2009


Novamente estou diante de uma pagina em branco e o não saber se torna condicionante a idéia de seguir em frente. Mas o que há para seguir?! Talvez mais palavras soltas do que propriamente idéias a serem contadas.
Acho que na verdade, o que eu realmente queria era poder contar uma boa história de aventura, romance... ou qualquer coisa que se valha! Falar sobre os sonhos de liberdade que orbitam minha mente e o universo coletivo de muitas pessoas como eu ou você.
Todavia a liberdade, ou mesmo o sonho dela, é uma concepção mutante do que venha a ser o ser humano e sua situação “involuída” face a grandiosidade de tudo que o cerca, fora suas invenções.
Contudo acredito que esse não seja o melhor caminho para iniciar o que sinto ser uma boa história; seria, talvez, se perder de mais num universo labiríntico sem possibilidades reais de prosseguimento.
E até aqui a dúvida permanece: o que vem a seguir!?

(...) De repente paro; olho para o lado do laptop vejo, embaixo de um porta-lápis, uma foto antiga de polaróide. Retiro o objeto de cima, olho aquela imagem com atenção afetiva reparando o tempo nos detalhes: luz estourada esmaecendo as curvas dos rostos, roupas, planta,áreas com pouca definição... um cenário escolar. Ali em uma tarde qualquer, entre aulas e conversas, alguém com uma câmera surge como dono da novidade! E o que ficou registrado foram sorrisos diletos, despretensiosos; acho que as pessoas desta foto sabiam (sem saber) que elas acabaram de fotografar a saudade futuramente sabida. Eram seis pessoas. Eu, o único menino.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

inquietação.


quando fazemos a diferença para alguém?

quarta-feira, 30 de julho de 2008

em cadeia...

*Menino Terra e Sol - Foto de Karina Bertoncini

para brincar de bola, havia uma bola.

mas, antes dela, havia o campo.

antes, ainda, havia o sol no meio.

e antes até do que pudessemos imaginar, havia um menino.

para brincar de menino, havia uma idéia.

além dela, havia suor de testa.

mais além, ainda, havia correria solta.

muito além disso tudo, havia o sorriso.

todavia, para brincar de sorriso, haveria o quê?

correria solta, menino de suor na testa uma idéia de bola sob sol no meio num campo bom.